SIMPÓSIO ARTE E CAPITAL
26, 27 e 28.06.2024
Lenin International Conference
Facultat de Geografia i Història i Facultat de Filosofia. Universitat de Barcelona.
Para comemorar o primeiro centenário da morte de Vladimir Lenin, a Facultat de Geografia i Història i Facultat de Filosofia, Universitat de Barcelona organizou a Conferência Internacional 100 Anos após Lenin: Autodeterminação, Tecnologia e Poder. A conferência se propôs a analisar os escritos de Lenin sob uma perspetiva contemporânea, oferecendo uma avaliação crítica e atualizada de seu legado e de suas contribuições.
O ponto de partida do simpósio foi o manifesto O que fazer? escrito por Jean-Luc Godard em 1970. O cineasta se apropria do título do livro de Lenin para apresentar as contradições que os intelectuais – que de acordo com Lenin deveriam compor o grupo encarregado de liderar a revolução – teriam que enfrentar ao tratar de política. No manifesto, o cineasta diferencia filmes políticos de filmes concebidos politicamente.
Os filmes políticos, na opinião de Godard, corresponderiam a uma concepção metafísica do mundo. Neles, as situações – como, por exemplo, a miséria, a fome ou a guerra – são descritas, ainda operando sob uma lógica representacional, o que faz com que os filmes continuem, assim, em conformidade com a ideologia burguesa. Em contrapartida, os “filmes feitos politicamente” pertenceriam à concepção dialética do mundo. Neles, análises concretas de situações concretas são feitas com o propósito de mostrar o mundo em luta e, assim, transformá-lo.
Considerando as mudanças sociais, econômicas e políticas dos últimos 60 anos (que talvez não tenham sido tantas assim), que estratégias estéticas podem ser tomadas para ajudar a protestar contra os abusos de poder? Quais são as formas que podem conter a complexidade da realidade contemporânea, quando as imagens perpetuam a violência, quando a história opera de forma não linear, quando o capital determina todas as relações sociais? Qual seria o papel do artista quando a própria linguagem se estrutura em formas dominantes que reforçam a desigualdade e o abuso de poder?
Tendo em vista essas questões, foram apresentadas falas acompanhadas de projeções de vídeos para explicitar a relação contraditória entre texto e imagem, teoria e prática, estética e política, por meio do confronto de ideias vagas com imagens claras, como Godard colocou tão bem em A chinesa (1967).
Participantes:
Ana Paula Albé: A orgia da imagem ou ‘She knows the lyrics but forgot the melody’: sobre a autoria e suas ressonâncias
Larissa Lacerda Menendez: O papel do artista: poesia e gesto revolucionário
Lara Ovídio: Representação de arte e espaço: dos ideais utópicos às realidades capitalistas
Manuela Leite: Arte como conspiração: ações objetivas para difusão de teorias revolucionárias
Maurício Ianês: Uma crítica da arte e da autoria como resultados diretos do capitalismo
Paula Alzugaray: Crise e crítica: o periódico cultural como espaço de organização coletiva de ideias
Pedro Andrada: A dominação abstrata do trabalho e estratégias de inutilidade artística
Organização e mediação: Dora Longo Bahia